sábado, 15 de agosto de 2009

Abecedário

Vejo-me muito em A, às vezes sonho com M, me comovo com os delírios de G, gargalho com as piadas de L, lamento a falta de P, prefiro estar ao lado de J, já nem me lembro do rosto de C, calo-me com as histórias de R, rodopio ao avistar D, dou o meu melhor para F, falo de tudo com I, invento um mundo ao lado de B. Batizei-me.

E continuarei alfabetizando o meu Ser.

*Mari Moura

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sensação




Já consigo ver minhas veias
Pulsando por todo o corpo...
Mas vendo-as, me dá uma emoção incomum
Já sinto um arrepio que sobe pelos pés e vai até a nuca
Dos pés até a nuca
Dos pés até a nuca
E volta...
Da nuca até os pés
Da nuca até os pés


Meu senhor, isso é vontade de viver
Vejo milhões de cores, luzes
Os sons, os sons se multiplicaram na minha mente
Mas eu estou parada, intacta
Com os pés fincados no chão
E as veias pulsam
Pulsam de tal maneira, que parece que vou voar


Sim, eu acho que tenho asas
São novas, pequenas e frágeis
Mas eu as tenho, são minhas! Só minhas.
O vento sopra suave.... vai e vem
Vai e vem


Moça, acho que minha alma quer passear
Passar pelo mundo e voltar...
Passar e voltar
E quando ela vai?
*Texto e Foto: Mari Moura

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O ar fúnebre atravessava as ruas ao seu encontro, um clima incomum, já percebeu o estômago embrulhado. Sentia de longe as lamentações alheias, os olhos inchados e calejados, resultado de uma noite mal dormida.

As lágrimas...

O pesar de seus amores próximos, o soluçar daquela mulher amada.
O céu está de morte e o pôr-do-sol passou despercebido, ficou mínimo perto da fatalidade.

A menina é sensível, só de ver pingos de sofrimento se comove, e ao se colocar naquele lugar, em tal situação, não se segura, uma dor lhe invade a alma, quer abraçar o mundo e nunca mais largar. E estranhamente... Chora!


Não pelo que se foi, se afunda na tristeza pelo que ficou.

*Texto e Foto: Mari Moura


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Atual

Estou diferente

Mas ando bem, assim dividida
Estranhando os batimentos cardíacos
Sem muita fome, com pouco sono
Com muitos sonhos e sem tristezas


Vivo feliz!


Meu coração se repartiu
E de inteiro, só me restou metade!


*Mari Moura

sábado, 4 de julho de 2009

E se eu me apaixonasse?



A família estranharia
Dinheiro não importaria

Aos pássaros cantaria
Essa nossa melodia

Na alegria viveria
Você, minha moradia

Abobada eu ficaria
E seus lábios, beijaria!

Teria agora um guia
E em você, ideologia

Deste mundo fugiria
Em seus braços, morreria!

*Foto e texto: Mari Moura

domingo, 21 de junho de 2009


Ela ergueu os braços, não mais ouviu os que falavam da vida, saiu no mundo, foi se visitar, algo que nunca mais havia feito. Olhou a estrada, sorriu-lhe...
Os seres não faziam sentido, os sinais, as regras, ela abandonou! Apenas se obedeceu.
Foi aí que sentiu a brisa da liberdade, que ainda não existe, ela apenas a imaginava.
Não deu atenção a seus entes queridos, abriu mão dos amigos, ditadores de leis, assumiu seus pecados e fez sexo em praça pública, esqueceu as angústias e perdeu sua caneta.
Sua essência era outra, suas idéias arbitrárias, suas histórias horrorizavam a vizinhança. Criou um novo mundo, até parecia ter sentido estar aqui.

Então ela acorda, se debruça sobre a cama, chora... Lamenta a realidade!


Foto e Texto: Mari Moura